Estava eu numa reunião de confraternização esperando para receber um prêmio da Bolsa Brasileira de Mercadorias quando um corretor conhecido chegou saudando-me com o meu adágio habitual: “Salve, Professor!”. Respondi com um “Salve” meio acanhado, acrescentando: “Pode me chamar até de vigarista, mas não me apoquentes me intitulando professor”.
Claro que essa resposta tinha muito a ver com o alto teor etílico do meu sangue e com o nível cultural da sala que abrigava além do alto empresariado do país, alguns tantos intelectuais do estado, contando inclusive com a presença do escritor Luiz Fernando Veríssimo.
Foi então que um superintendente de banco, de descendência oriental, após apresentar-se me disse que fosse no Japão, após saberem que eu era professor, todos viriam me prestar reverência. Que lá, um mestre era sempre a principal figura em qualquer ambiente. Surpreso e aí sim, mais encabulado comecei a dar-me conta da soberba que havia cometido.
Naquela noite mesmo, refletindo sobre o corolário de razões do estrangeiro naturalizado brasileiro, comecei a refazer os meus conceitos. Era evidente que, sendo a verdade um conceito temporal e geográfico, jamais eu poderia partir de uma realidade particular para formar um pensamento universal. E ademais, tirando a escala econômica, um professor é um artífice do mundo, em qualquer lugar, em qualquer época.
O professor é a profissão mais digna, mais importante, mais elevada do mundo. Desde os mais rudimentares ensaios da sabedoria, até o mais elevado grau de conhecimento humano, nada, mas nada mesmo consegue ser realizado sem que as figuras dos mestres tenham plantado as suas sementes. Nem Sócrates, Platão ou Aristóteles poderiam prescindir de um mestre.
O professor é o eixo e o vértice do mundo, a mais importante casta de todas as castas, o arquiteto de todas as idéias e a simbiose plena de todas as profissões. Não importam as raças, cores e credos, não importam os continentes e as nações, nada existiria, nem mesmo os Deuses, se estes não tivessem sido mestres.
Então colega professor, orgulha-te do teu mister. Não importa que em alguns lugares do mundo tenhas sido ludibriado, vilipendiado, esquecido. Não te abatas com a ingratidão, pois este é um sentimento que não tem lugar no teu peito, altar de doação e sacrifício, humilde morada de um verdadeiro sacerdócio dedicado ao saber e a inteligência humana.
Parabéns. Mil vezes parabéns.
Elder Piantá
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