sábado, 14 de janeiro de 2012

AS FÉRIAS

Penso que não deveriam existir férias tão longas. Trinta dias nas atividades laborais só serve para mostrar o quanto você é prescindível na sua atividade. Se você for substituído temporariamente, prova que você é apenas mais um. E que pode ser para sempre. Se não for, é porque você não faz nenhuma falta na engrenagem da empresa. Então você é perfeitamente dispensável. Sendo assim, você não tem a importância que todo mundo pensava (e principalmente você) que tinha dentro do contexto.

Penso que a legislação trabalhista brasileira, tão protetora e zelosa pelos direitos dos trabalhadores, deveria ser, pelo menos na regulamentação desse direito, menos excessiva e severa. As férias, que poderiam ser de quinze dias, poderiam ser totalmente negociáveis entre empresa e trabalhador. Uma semana no verão, outra no inverno, que somadas a domingos, feriados, licenças saúde, acidente de trabalho, gestante, lactação, luto, nojo, paternidade, acompanhar familiar doente e et cetara, já podem consumir mais da metade do ano.

E os asiáticos com sua sede de trabalho, com suas megapotências empresariais quebrando todas as nossas empresas, vão sobrar únicas no mundo para assistir as Américas morrerem de fome e miséria. Ou alguém pensa que globalização é socialização global do ócio e da indolência?

E as férias escolares, então? É o maior exemplo da precariedade do nosso pensamento latino. Setenta dias de rebelado abandono dos livros e do conhecimento. Os alunos chegam a esquecer o que aprenderam. Num sistema que para um aluno repetir um ano, se precisa fazer um requerimento, sem a menor chance de ver o seu pedido deferido, isso até soa como um deboche. É tão ridiculamente baseado no custo financeiro de cada aluno para o Governo, que não pode haver reprovação, nem muito tempo da criança na escola para não aumentar a conta de água, luz, merenda e outros custos educacionais (leia-se operacionais). Mas é claro, tudo disfarçado numa esdrúxula pedagogia de que a reprovação é segregação, motivo de desestímulo e de exclusão. E todos batem palmas para tão elevados ideais.

Mas sempre há os que defendem seus “direitos adquiridos” com unhas e dentes. Ficam ferozes quando alguém pensa diferente. E para compensar usam uma retórica dissimuladamente infantilóide. Falam em níveis de IDH, em maior produção quanto maior o índice de satisfação pessoal do trabalhador. Uma argumentação que no fim das contas é puramente capitalista. Chegam até a mencionar que Deus descansou no sétimo dia. Que ridículo! Imaginem, os que creem, um Deus que tira férias de trinta dias e recebe mais uns tantos dias de benefícios sociais.

E se ainda pudéssemos tirar férias para viajar, para conhecer o mundo, para aprender com outras raças de culturas milenares... Mas com os salários deste país, férias servem para fazer “bicos” em outras atividades e aliviar as dívidas acumuladas. Somente uma casta privilegiada de funcionários públicos com altos salários, os políticos e outras atividades cheias de mordomias podem se dar ao luxo de desfrutar de “merecidas férias” com turismo e outras burguesias.

 Elder Piantá