segunda-feira, 17 de outubro de 2011

COLEGAS PROFESSORES(AS)!

Esta Escola sempre foi assim. E não sei por que, não queremos que ela mude.
Aqui, mesmo durante as férias escolares, uma equipe se reúne, para preparar a volta dos colegas.
São momentos de espera, de saudade, que são carinhosamente estudados para A VOLTA...
E a Escola, meio solitária, parece estar tapera dos risos, das piadas, do chimarrão, das “papeadas” sobre todos os assuntos... daquela irmandade que caracteriza um grupo tão homogêneo de sonhos e propósitos.
Sim, somos caminheiros de uma mesma romaria de sacrifícios e dificuldades, mas também de fraternidade e coleguismo.
Não somos um grupo de religiosos, tampouco de santos, é claro, mas somos um, grupo de fé, de crença num futuro melhor para todos que passam por nossas mãos.
É compreensível, num grupo que trabalha tanto, que existam as rusgas naturais do ofício, mas o companheirismo e a solidariedade sempre predominaram.
E isso faz com que este grupo, historicamente, seja um grupo diferenciado.
Aqueles que passam por aqui jamais se esquecem, nem são esquecidos.
Há em todos e em cada um uma preocupação em agradar, em ser simpático, em dar um “bom dia” alegre, um sorriso aberto, um abraço afetuoso nas datas importantes...
Diferentemente de outros grupos de trabalho, onde impera a indiferença e a frieza das relações, nós sabemos sorrir...
É que nós nos amamos. Essa é a diferença!...
Somos todos quase-heróis, capazes de, mesmo vivendo pesadelos, tornar possível o sonho dos outros...
Somos construtores de vidas, conquistadores de almas, feitores de potencialidades, que muitas vezes, por serem seres humanos, necessitam mesmo de um pequeno gesto de carinho, de uma pequena palavra de compreensão...
Até Deus precisa ser compreendido, por que os professores não?!
Por isso o grupo de colegas desta escola coloca o lado humano acima do profissional, o lado quente e compreensivo da amizade acima do lado frio e materialista das leis e normas.
Temos no presente os desafios, desventuras e sucessos
porque a nós é permitido passar parte dos nossos dias convivendo com o futuro.
Somos professores... e agradecemos a Deus por isso.
Parabéns pelo nosso dia!

Elder Piantá

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SALVE, PROFESSOR!

Estava eu numa reunião de confraternização esperando para receber um prêmio da Bolsa Brasileira de Mercadorias quando um corretor conhecido chegou saudando-me com o meu adágio habitual: “Salve, Professor!”. Respondi com um “Salve” meio acanhado, acrescentando: “Pode me chamar até de vigarista, mas não me apoquentes me intitulando professor”.
Claro que essa resposta tinha muito a ver com o alto teor etílico do meu sangue e com o nível cultural da sala que abrigava além do alto empresariado do país, alguns tantos intelectuais do estado, contando inclusive com a presença do escritor Luiz Fernando Veríssimo.
Foi então que um superintendente de banco, de descendência oriental, após apresentar-se me disse que fosse no Japão, após saberem que eu era professor, todos viriam me prestar reverência. Que lá, um mestre era sempre a principal figura em qualquer ambiente. Surpreso e aí sim, mais encabulado comecei a dar-me conta da soberba que havia cometido.
Naquela noite mesmo, refletindo sobre o corolário de razões do estrangeiro naturalizado brasileiro, comecei a refazer os meus conceitos. Era evidente que, sendo a verdade um conceito temporal e geográfico, jamais eu poderia partir de uma realidade particular para formar um pensamento universal. E ademais, tirando a escala econômica, um professor é um artífice do mundo, em qualquer lugar, em qualquer época.
O professor é a profissão mais digna, mais importante, mais elevada do mundo. Desde os mais rudimentares ensaios da sabedoria, até o mais elevado grau de conhecimento humano, nada, mas nada mesmo consegue ser realizado sem que as figuras dos mestres tenham plantado as suas sementes. Nem Sócrates, Platão ou Aristóteles poderiam prescindir de um mestre.
O professor é o eixo e o vértice do mundo, a mais importante casta de todas as castas, o arquiteto de todas as idéias e a simbiose plena de todas as profissões. Não importam as raças, cores e credos, não importam os continentes e as nações, nada existiria, nem mesmo os Deuses, se estes não tivessem sido mestres.
Então colega professor, orgulha-te do teu mister. Não importa que em alguns lugares do mundo tenhas sido ludibriado, vilipendiado, esquecido. Não te abatas com a ingratidão, pois este é um sentimento que não tem lugar no teu peito, altar de doação e sacrifício, humilde morada de um verdadeiro sacerdócio dedicado ao saber e a inteligência humana.
Parabéns. Mil vezes parabéns.

Elder Piantá

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A VIDA ME ENSINOU...



A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
Charles Chaplin

terça-feira, 4 de outubro de 2011

APARIÇÃO A DONA MARGARIDA

.............................(A uma tia muito querida)
A sós na sala naquela casa grande,
Lia Drácula que da morte voltou a vida,
E no silencio ali jazia esquecida,
A espera que o sono Deus lhe mande.

No insone enfado que a leitura abrande
Fora até então a madrugada erguida,
Mas eis que de repente dona Margarida
Sente um sinistro som que pelo ar expande.

Estava tão escuro... e ela ouve passos
Um medo atroz frouxa-lhe pernas e braços
Teme que seja a morte que a espreite.

Ouve então um ranger de porta aberta
E uma voz rouca, alta e incerta
Grita da varanda: “ – Olha o leite!”

>>>>>>>>>>>>>>>>> Elder Piantá (1976)